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08-02-2010

DO ENVIADO ESPECIAL A BALSAS (MA) - Ferido, Arlindo Fucina, então com 15 anos, apanhou um punhado de terra e arremessou para o alto. Fez isso várias vezes. Por sorte, funcionou. O socorro salvou sua vida depois de cair sob um trator. Gaúcho de Palmeira das Missões, Fucina é hoje um preocupado produtor no Maranhão. Vai colher 18 mil toneladas de soja, um recorde preocupante. Quanto vai custar o transporte de tudo isso para o porto? Fucina avalia que gastará US$ 2 por saca. A precária logística maranhense lhe custará US$ 600 mil. É um custo alto, quase 10% do valor atual da saca. É o custo real da ineficiência logística do país. "Com US$ 2 a mais por saco de soja, reduziria a dependência financeira que tenho das tradings, poderia fazer investimento na fazenda, abrir mais áreas de produção. É só me devolver esses US$ 2 para ver o que eu poderia fazer", diz. Idone Luiz Grolli, produtor de uma área de 2.600 hectares também em Balsas, estima em US$ 200 mil o corte de renda da safra 2009/2010 em decorrência do custo de transporte para os portos. A produção é negociada com as tradings (Bunge, Cargill), que descontam do produtor o custo logístico. "Quanto mais renda na mão do produtor, menor a dependência financeira, menor o custo financeiro, menor a pressa de vender quando o preço está ruim", diz. Grande trading maranhense, a Ceagro avisa que a fronteira agrícola do cerrado nordestino parou de crescer. "Simplesmente não dá mais para abrir áreas. O porto estrangulou. Sem o Tegram, não há como ter escoamento", diz Max Bonfim, encarregado de negociar áreas de produção em Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia, região conhecida como "Mapitoba". O custo de US$ 75 por tonelada, tanto para o transporte ferroviário como para o rodoviário, é pesado demais para uma região a cerca de 800 km do que todos afirmam ser a melhor saída para o agronegócio. Com a colheitadeira no campo, Deone Sandri abriu a safra do Nordeste brasileiro. A boa produção exige bom transporte. E aí... "Tivemos problemas em 2009. Perdemos 5% da produção devido aos congestionamentos nos portos", diz. Como Fucina, a agricultura arremessa terra ao alto para que o país perceba como está o setor que responde por 42% das exportações nacionais. Folha de São Paulo

 

 

 


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